COMPORTAMENTO CONSUMO CONSCIENTE

Minha paixão pela Moda e a relação com o Consumo.

Andei lendo muito ultimamente sobre consumo consciente, estilo, moda sustentável e minimalismo. E dentre tantas reflexões que tive sobre estes assuntos, uma em especial me chamou bastante atenção. O fato da minha paixão pela moda influenciar a minha felicidade e a maneira como eu consumo.

Você já parou para se perguntar o que mudou na sua maneira de consumir de alguns anos pra cá? Eu sim, e é sobre essa  reflexão que falarei aqui abaixo.

Quando ainda criança, minha mãe levava eu e meus irmãos duas vezes por ano na Renner ou em algumas lojas do centro da nossa cidade para comprar nossas roupas para “passar o verão” ou para “passar o inverno”. Na ocasião era sempre uma festa porque sabíamos que iríamos ganhar roupas novas, porém o dinheiro era contado e o número de peças também, ou seja, não adiantava se encantar por muita coisa não, era escolher uma e deu, se escolhesse errado, só no pŕoximo ano pra ter a oportunidade de comprar de novo. Era uma roupa para usar no colégio e uma para sair. E usar até rasgar. Simples assim.

Na adolescência, com 16 anos, comecei a estagiar e todo o pouco dinheiro que eu ganhava era destinado para comprar roupas. Fazia a festa na Renner mas assim como na infância, o dinheiro era pouco e não dava pra comprar tudo o que eu queria. Pelo fato de trabalhar no centro da cidade, eu passava pelas lojas todos os dias, com isso a vontade de comprar nunca acabava pois sempre tinha algo novo e encantador nas vitrines. Sem falar é claro que pelo fato de estar trabalhando fazia com o que eu “precisasse” sempre comprar algo, afinal tinha que estar bem vestida. O tempo foi passando e em vez de trabalhar para ganhar dinheiro e comprar roupas eu trabalhava para ganhar dinheiro e pagar as roupas que eu havia comprado. Essa saga se estendeu por muito tempo e nunca mudou. A única coisa que acrescentou com o tempo foi o fato de ter que dividir o valor que ganhava para pagar também a faculdade.

A diferença da primeira para a segunda parte desta história que relatei aqui acima é que quando criança, minha felicidade em ganhar um tênis por ano e uma roupa nova por ano era imensa, já quando eu comecei a trabalhar e ter meu pŕoprio dinheiro e comprar na hora que eu queria eu já não me sentia tão feliz assim. Por vezes eu comprava algo, chegava em casa, fazia combinações com as roupa que eu já tinha no armário e logo depois de um mês de uso eu já não queria mais, enjoava daquilo e comprava de novo. Com o tempo eu estava com o armário abarrotado de coisas, algumas ainda novas e com etiqueta, uma fatura de cartão enorme para pagar e infeliz.

Eu perdi a conta de quanto já ganhei vendendo minhas roupas em brechós, mas também sei que foi muito dinheiro jogado fora por causa disto. Esse consumo desenfreado obviamente não é nada saudável.

MINHA RELAÇÃO ATUAL COM A MODA E O CONSUMO

Quando percebi que apesar de nos dois últimos anos eu ganhar exatamente três vezes mais do que eu já ganhei nos meus antigos empregos e que apesar de eu conseguir comprar praticamente tudo o que queria, mesmo assim não estava feliz comecei a pensar que algo estava muito errado.

A frase “não tenho nada pra vestir” começou a pipocar na minha e eu imediatamente vi que era preciso alinhar o meu estilo, com a maneira como eu estava consumindo para que tudo começasse a se encaixar. Consumir menos e melhor se tornou necessário.

Depois de entender melhor sobre o meu estilo através do curso de consultoria, de ler o livro “A mágica da arrumação” e de realizar pesquisas sobre minimalismo, e de parar de achar definitivamente que o meu estilo estava nos blogs de moda ou nas revistas, comecei a entender melhor onde foi que “eu me perdi”. Comecei a entender melhor as minhas escolhas, a escolher melhor de fato e a tentar achar um lugar na minha vida onde coubesse (física e mentalmente) o que eu estava consumindo.

Ter opções demais, achar que precisa sempre de algo novo, nunca estar satisfeita com o que tem, não saber combinar peças, não entender sobre o próprio estilo e sobre o que quer sentir ou a imagem que quer passar faz com que a gente compre muito, e errado.

O que a mídia tenta colocar na nossa cabeça em relação ao consumo está nos fazendo comprar cada vez mais. Mesmo sem precisar, mesmo sem poder. Tentam colocar na nossa cabeça que necessitamos daquilo, mesmo sem ter necessidade alguma.

E afinal de contas o que toda essa reflexão mudou em mim, na maneira como eu consumo e como tenho me relacionado com tudo isso?

Parei de achar que só aquela felicidade gerada no momento da compra valia a pena. Se depois da compra você ficar com algum sentimento de culpa, pode ter certeza, fez a escolha errada.

Parei de comprar por impulso e comecei a analisar melhor as escolhas que eu estava fazendo. Sabendo mais sobre meu estilo e como aperfeiçoá-lo, comecei a escolher com mais calma, verificando se aquilo realmente se encaixava no contexto da imagem que eu queria passar. Comecei a avaliar melhor o preço e a qualidade das peças.

Entendi que ter menos, priorizar qualidade e gostar MUITO de uma peça de roupa, me traz mais satisfação e facilidade na hora de me vestir.

Todo este texto definitivamente não é para lhe dizer que eu não compro mais nada e que você deveria fazer o mesmo. Ainda compro, e coisas mais caras do que antes, inclusive. Porém, compro com base no meu estilo e com base na minha real necessidade e não porque vi na última edição de uma revista de moda ou no Instagram de uma blogueira famosa. Aliás, só pra constar, a minha necessidade com roupas no dia a dia é quase zero. Trabalho usando uniforme, portanto meu consumo com roupa obviamente precisa ser reduzido. Faz mais sentido.

Algumas clientes e amigas ficam curiosas pra saber como é meu armário. Se tenho muitas roupas ainda, como organizo, qual é minha linha de raciocínio quando adquiro uma peça nova, etc. Acho natural que me questionem sobre isso, pois se estou dando uma dica pra elas, é natural que esperem que eu as coloque em prática. E de fato sim, eu testo tudo, avalio o que dá certo pra depois passar esse ensinamento adiante.

E você, qual é  sua relação com a moda e consumo?

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